Nos últimos dias tem-se ouvido alguns dirigentes da coligação, que se autoapelidou “Nova Maioria”, pedirem ao Presidente da República, Evaristo Carvalho, para não ser força de bloqueio das acções do Governo. No mínimo, isto revela uma precipitação, uma ingénua manifestação de surpresa de alguém que não tem consciência do que está a fazer e que vive num país democrático, onde a separação de poderes não corresponde à distribuição de TACHOS aos amigos e familiares, mas para que cada um dos poderes, no espírito de colaboração, possa travar as veleidades desviantes dos outros. Mas isto é coisa muito complicada de entender para este ‘’arranjo circunstancial’’ que faz de conta que dirige o nosso país…………

O que, na verdade, essa gente quer, é fazer as poucas e boas, pintar trinta por uma linha, perseguir até o simples cidadão que manifesta alguma simpatia pelo ADI ou pelo seu líder ou revela algum desacordo com os desmandos da coligação e que o Presidente da República, que é o Primeiro Magistrado da Nação, que tem a responsabilidade de garantir o regular funcionamento das instituições e Órgão, perante o qual o Governo deve prestar contas, sendo o governo responsável perante o Presidente da República e perante a Assembleia Nacional, fique a assistir, sereno e impavidamente, uma coligação absolutamente heterogênea e um Primeiro Ministro limitadíssimo, quer pelos seus conhecimentos de gestão política do Estado, quer pela ‘’camisa de força’’ que lhe foi vestida, à “baná mão”, quando problemas sérios e urgentes devem ser resolvidos.

Se é compreensível que os novos poderes acusem os anteriores de todos os males da Nação, já não é admissível que este seja o Programa de Governo, que no seu afã de uma exclusão persecutória, lança-se numa descaracterização do Estado, recurso às velhas práticas e a personagens do passado, de elevada carga criminosa e usurpação sistemática de poderes que não são os seus.

É que, cronologicamente, temos dos dirigentes da Troika/nova Maioria, as seguintes posturas:

  1. Em 03 de setembro de 2016, estas mesmas senhoras e senhores, não foram à investidura do actual Presidente da República porque, segundo eles, não lhe reconhecem legitimidade.
  1. Acto consequente, em 03 de janeiro de 2017 e de 2018, não foram, como manda o Ritual e a Praxe Republicana, apresentar cumprimentos ao Presidente da República porque, uma vez mais, continuavam a não lhe reconhecer legitimidade e não lhe reconheciam a qualidade de Presidente da República.
  1. Em 3 de Fevereiro e 12 de Julho de 2017 e de 2018, numa birra de criança, associada à uma incapacidade de discernir, o Presidente da República e o homem Evaristo Carvalho, ex-militante do ADI, do MLSTP e outras causas, também não participaram nas cerimónias oficiais alusivas aqueles dias, o que reflecte uma negação de toda a história do país e desrespeito pelos seus heróis. Enfim,……….
  1. Em janeiro de 2018, foram ao cúmulo de uma vigília, vestidos de luto, num total desprezo pelas instituições democráticas da República e por todos aqueles que padecem a dor e a tristeza, prostrados de costas viradas ao Palácio do Povo, reflectindo toda a baixeza, rancor, ódio e radicalismo, que lhes são característicos.
  1. Numa infantil instrumentalização da democracia e das suas virtudes, com o aproximar das eleições e num instituto de sobrevivência e regresso ao poder a todo o custo, vieram piscar os olhos ao Presidente da República, a quem faziam lancinantes apelos, entre Outubro e Dezembro de 2018, para que este exerça a sua magistratura de influência por ser o mais Alto Magistrado da Nação e garante do regular funcionamento das instituições, como que se por um milagre do Espírito Santo, Evaristo Carvalho tivesse deixado de ser quem era.
  1. Em Janeiro de 2019, regressados ao poder e distribuídos os Tachos, precipitaram-se ao Palácio do Povo, outros até anteciparam a hora de chegada, outros telefonaram nos primeiros dias de 2019, para que não falhassem aos cumprimentos ao senhor Presidente da República, que os recebeu e acolheu como Cristo acolhe todos os seus filhos. Mas, que sem vergonha?

Ora, o Presidente da República não deve absolutamente nada aos dirigentes desta coligação infame e que vai desacreditando a cada um dos seus actos. O Presidente da República goza de uma legitimidade popular e universal, sendo o único órgão unipessoal em que o povo vota na pessoa de cara aberta e não escondida nas listas eleitorais onde se escondem criminosos, com inúmeros processos de crime pendentes, incluindo contra o próprio Estado e as suas instituições.

Evaristo Carvalho, pelo crédito de experiência de Governação, deputação e de democracia de que goza, confere tranquilidade suficiente aos cidadãos santomenses e estrangeiros. A sua humildade, o seu sentido de Estado e o seu apego ao interesse público e às causas colectivas constituem uma garantia indestrutível de que não está ao serviço de interesses alheios. Por isso, compreenderão que não permitirá que o poder instalado desrespeite de forma continuada e grosseira a Constituição e as leis.

Em duas ocasiões apenas, Evaristo Carvalho, fez-se ouvir. Primeiro, numa missiva enviada ao Presidente da Assembleia, que transformou a casa parlamentar numa oficina de perseguição, defesa de interesses pessoais e dos deputados, como mostra a tentativa de aumento dos salários dos deputados de 150% (Db. 10 000,00 para Db. 25 000,00), ou ainda a perseguição dos cidadãos, como testemunha a criação de uma Comissão Parlamentar para averiguar sobre uma tentativa de golpe de Estado que teve lugar em 2003, cujos actos foram amnistiados pela própria Assembleia Nacional. Uma vontade deliberada de arrastar para o presente e o futuro um passado que nos impede de ir mais além e lhes permite esconder a sua incompetência e incapacidade de criar, inovar, transformar, mudar e gerar uma nova sociedade santomense.

A segunda intervenção do Presidente da República foi aquando da nomeação ilegal do Governador do Banco Central, situação que permanece pendente, pois que os seus actos não vinculam, nem podem vincular o Banco Central, o Tesouro e a Nação. Estamos perante uma repugnante impostura, cujos actores e agentes, tarde ou cedo, deverão pagar impiedosamente o preço.

Muitas outras situações deveriam merecer a intervenção do Presidente da República, que não o faz, certamente porque considera que nada se faz sem a presença da razão e as melhores decisões são tomadas no ambiente e calma e tranquilidade.

Mas, deixem o Evaristo. Poupem-no, porque será a garantia da nossa democracia, do regular funcionamento das instituições e na hora certa agira em defesa dos interesses supremos da democracia, do Estado e do povo. Pelos lados do Palácio do Povo, não haverá vistos ilegais, promulgações de cumplicidade e que ponham em causa os interesses do povo, da sua liberdade e dos seus direitos.