Dentro de aproximadamente um ano o povo voltará a “mandar nas URNAS” para escolher os seus representantes e aqueles que deverão conduzir os destinos do país até 2022.

Quando se olha para o desempenho do Governo nestes três últimos anos e se presta a devida atenção às condições que todos são unânimes em reconhecer particularmente difíceis, quer do ponto de vista de mobilização de recursos quer do ponto de vista da agressividade sem precedentes dos partidos de oposição, percebe-se muito facilmente que muito ainda poderá ser feito pela esclarecida liderança atual do país em proveito do povo inteiro, sem exclusão nem segregação.

Isto significa que quando o povo for convocado para as urnas e antes de fazer a sua escolha não deixará de pensar naquilo que uns e outros fizeram e sobretudo naquilo que uns e outros ainda poderão fazer. Nessa altura não deixarão de pensar que o ADI sob a liderança de Patrice Trovoada, inaugurou um novo tempo na nossa democracia, abriu o nosso país ao mundo, transformou o panorama físico do país com as novas infraestruturas, electrificou o país, conectou o país e a juventude com o resto do mundo, deu voz e espaço à juventude, enfim, pela primeira vez levou água potável às comunidades rurais, dependências, roças e empresas. O paradigma foi definitivamente alterado e o futuro é doravante visto com maiores expectativas e exigências.

Nisto e aqui radica a génese da frustração, do desespero e da depressão que tomaram conta da oposição e constitui hoje o factor crucial de unidade dos contrários e o móbil de sua atuação.

Mas que outra coisa poderá verdadeiramente UNIR MLSTP (Um partido anacrónico na sua organização e perfeitamente esclerosado na sua ideologia e visão do futuro) com o Partido de Convergência Democrática-PCD (Um partido da MUDANÇA, mas que vem radicalizando-se e comprometendo dramaticamente o seu futuro ao mesmo tempo que cimenta a sua fusão político-financeira com o MLSTP ) ou ainda a UDD (um partido de um grupo de revanchistas primários unidos ao Guilherme Pósser da Costa e que agora associa-se ao MDFM partido liberal “ fora de tempo)?

Pode de igual modo perguntar-se o que UNE verdadeiramente Pinto da Costa, Jorge Amado, Aurélio Martins, Xavier Mendes, Delfim Neves, Olegário Tiny, Anacleto Rolim, Paixão Lima, Carlos Neves, Gabriel Costa e Silva do CÓDÓ, Elsa e Alcino Pinto, Rafael Branco, Jorge Correia, Fernanda Pontífice, Maria das Neves, Pósser da Costa?

De facto, nada os une e jamais esta gente poderá unir-se. Não têm nada de comum e tudo, mesmo tudo, os separa. As agendas, as ambições, as aspirações, as motivações, bem como os propósitos não só são distintos na forma e no tom como as expressam, mas são sobretudo essencialmente antagónicos.

Ao longo destes três anos não foram jamais capazes de fazer nada de positivo, têm um passado muito marcado por falhanços, insucessos, complexos, traições, e recalcamentos que não foram capazes até então de exorcizar.

De igual modo não foram até então e tudo indica que jamais serão capazes de propor alternativas, de participar num debate político construtivo, inovador e moderno, onde as questões da cidade e não as pessoas estejam no centro da política. Não foram até então sequer capazes de assumir plenamente a sua condição de oposição e reconhecer tal estado como uma escolha legítima do povo, outra face de uma mesma moeda que é a democracia.

Por conseguinte, desde muito cedo elegeram um alvo pessoal e estabeleceram um objectivo estratégico comum – CUSTE O QUE CUSTAR, ACONTEÇA O QUE ACONTECER TEMOS DE DESTRUIR, DERRUBAR, ANIQUILAR PATRICE EMERY TROVOADA, que se tornou doravante o denominador comum – o ódio pelo Patrice Trovoada.

Fiéis aos seus dógmas, trabalham todos afincadamente, dia e noite, para a realização desse objectivo supremo por todos acarinhado, numa cega obssessão por um homem, que julgam erradamente ser o óbice único e exclusivo à realização dos seus desígnios individuais.

Não poderiam estar mais errados, mas persistem temerária e absurdamente num erro, que lhes será fatal, mas cujos custos serão, felizmente, às suas expensas. Pois, não é de todo Patrice Trovoada a causa dos males de que padecem, nem tão pouco é a presença dele na cena política que faz com que o povo faça escolha distinta das suas. As causas são outras e múltiplas.

Devem certamente ser procuradas nas transformações sociais e económicas, nas mutações geracionais, na natural conscientização do povo, na demografia e na mobilidade social que conheceu São Tomé e Príncipe, nas novas relações interpessoais e inter-estatais e, até mesmo nas mudanças tecnológicas que se operam no mundo, nos novos modelos societais e nas novas interpretações do mundo, da evolução da felicidade, do bem estar, do futuro e das expectativas que tudo isso gera no ideal de realização pessoal e colectiva da nação inteira.

Daí que o único culpado seja a incapacidade da oposição de apreender o fenómeno da modernidade em toda a sua complexidade, bem como os elementos de pós-modernidade que influenciam de forma decisiva a sociedade santomense e a sua juventude. Enfim, a ineptidão que lhes ofusca a compreensão e a configuração de novos paradigmas e fazem com que se revelem aos olhos do povo como agentes absolutamente incapazes, ineptos e inabilitados para genuinamente protagonizar as mudanças que propiciem o surgimento de um processo genuíno de desconstrução dos velhos dogmas e proporcione a construção de novos modelos mais inovadores, mais prósperos, mais inclusivos, mais abertos e mais promissores.

A partir daí as desordens, a indisciplina, as contradições, amálgamas e os transtornos são inevitáveis ao ponto que um Olegário Tiny, conhecido de longa data pelo seu oportunismo e preguiça, mas apesar de tudo Vice-Presidente do PCD, um partido que ainda se reclama da família da mudança, se torna artista e mascote do tempo de antena do MLSTP, uma espécie de ‘’bôbo mal trajado em carnaval alheio’’. Nestas circunstâncias nada pode fazer-se e temos todos, certamente um pensamento ou pelo menos uma recordação da avó: “NGUÊ KU NA MOLÊ FÁ KA BI PIA KWÁ”, resignadas, gostavam elas de dizer assertivamente.

É de conhecimento público e já não constitui hoje novidade para ninguém, dentro e fora do país, que oposição está de cabeça perdida e mesmo toda junta não consegue erguer-se como uma alternativa. Diria um bom português ‘’Muita para pouca uva’’. O seu quotidiano é feito de reações epidérmicas sucessivas, tal uma criança mal humorada e de uma multitude de medidas avulsas, ocasionais sem qualquer alcance estratégico.

A UDD de Carlos Neves, Edgar Neves e Gabriel Costa trabalha arduamente para uma fusão bombástica com o MDFM de Fradique de Menezes, uma espécie de casamento de ‘’Dindi ku Danda’’. Pois, como se sabe, a soma de dois passivos só pode naturalmente gerar um saldo ainda mais negativo e oberar um balanço que já é de si cronicamente deficitário. Mas o mais caricato ainda parece ser a recomendação da “Aliança da Oposição“, que impõe a fusão dos partidos marginais da oposição, isto é, UNDP – de Paixão Lima, PTS de Anacleto Rolim e CÓDÓ do Silva, como condição para lhes sejam ministrada alguma ração de combate. Os resultados são por demais evidentes para que se acrescente algo mais de relevante a este carnaval fora do tempo.

O PCD, mais astuto e mais engenhoso, mas mais desesperado com a sua irreversível degenerescência, lança-se de forma mais elaborada, mais subtil, mas nem por isso, menos acutilante, na reconquista de uma meteórica glória que conhecera num passado que se torna cada vez mais remoto e improvável. Mas o PCD ou pelo menos alguns dos seus estrategas de serviço, mais sensatos porque mais realistas, reconhecem as suas debilidades congenitais e, por isso, esforçam-se por não dispor porque não tem forças para tal, mas apenas propõem maliciosamente como sempre agiu, que seja o Rafael Branco (esse mesmo que todos conhecemos) o Primeiro Ministro do MLSTP, numa eventual e derradeira vitória da oposição. O PCD tem exigências minimalistas. Quer apenas, em caso de concretização deste cenário, que lhe deem dois lugares no Governo, apenas dois e venderá a sua alma – Ministério das Infraestruturas – Benjamim Vera Cruz, tem muita experiência nessa pasta e – Ministério do Comércio – Delfim Neves tem muita experiência na comercialização do arroz.

É tudo o que o PCD precisa para apoiar uma candidatura que pretende consensual de Rafael Branco, que abdicaria voluntariamente da corrida ao cargo de Presidente do MLSTP, após a expulsão do mercado do seu PEPS por expiração do prazo de validade, deixando o lugar a um homem de Pinto da Costa, na ocorrência, o intrépido e arrivista António Quintas do Espírito Santo, fiel mandatário do Pinto da Costa, cujo poder de destruição, poluição e turvação são suficientemente conhecidos para que não sejam devidamente acalmado, apesar das relações estreitas que mantem com oficiais de Taiwan, onde serviu Pinto da Costa como Embaixador.

Na verdade, o produto Rafael Branco, apesar de difícil embalagem e marketing, tem para o PCD uma vantagem ou melhor uma característica que partilham apaixonadamente. Como o PCD, gosta de verba (perguntem aos militantes e dirigentes do MLSTP) e para o PCD, acreditam nas palavras do Rafael Branco quando diz ele ser o único homem da oposição capaz de mobilizar recursos financeiros indispensáveis à execução da sua estratégia e sobre o qual tem mecanismos de persuasão para que lhe seja entregue a sua fatia “certinha”.

Mas a estratégia não estará concluída se não tiver em devida conta o Jorge Amado e o Aurélio Martins. Jorge Amado, homem que ninguém quer, mas de que todos precisam. A sua relação actual com Taiwan incomoda todos e deixa o MLSTP numa situação desconfortável. Mas a sua brutalidade e imprevisibilidade, bem como a sua docilidade perante algumas vantagens devem ser sabiamente controladas e canalizadas. Podem causar estragos certos e indeterminados, mas pode ser sempre útil quando a decência política deixa de ser regra.

Aurélio Martins, gerindo o MLSTP à distância e por delegação a partir de Luanda, tem apenas um controlo virtual do seu partido. Tal uma barata tonta está de cabeça perdida, tão diversos são os seus dilemas. À critica que o coloca, sem razão, a soldo de Patrice Trovoada, junta-se um profundo sentimento da sua incapacidade de ao menos travar a irreparável descida aos infernos do MLSTP. Esta situação coloca-lhe pelo menos dois desafios, um tão duro quanto outro. Por um lado, encontrar a sagacidade, o momento e os argumentos para mais uma grande conferência em que possa “desancar” Patrice Trovoada, como que para servir de revelação aos camaradas da sua independência e, por outro, correr nos difíceis tempos de hoje à procura de dinheiro para contrariar as pretensões do incauto António Quintas do Espírito Santo e do habilidoso Rafael Branco, confortado e fortalecido pela escola do PCD. Certamente, Pinto da Costa não terá dificuldades em reconhecer que se trata de muita areia para a pequena carrinha do voluntarioso e simpático Aurélio Martins.

Maria das Neves não pode ser esquecida, apesar de se tratar de uma porção absolutamente negligenciável e, por conseguinte, uma carta fora de baralho. Desde a sua derrota nas presidenciais que padece de uma depressão aguda, da qual jamais conseguiu livrar-se ou disfarçar. Má digestão de uma dramática derrota originada por traições e divisões internas e outras incompreensões, a faz nutrir um ódio de morte por Patrice Trovoada, ADI e Evaristo Carvalho. Como que procurando incessantemente a cura para o sua depressão, quer estar em todo lado e quando não consegue tal desiderato, despacha o marido para a representar na visita dos partidos políticos são-tomenses com assente parlamentar ao Partido Comunista Chinês. Enfim,…………nunca se sabe de onde pode vir a cura!

Mas a verdade é que do lado da Mariazinha, outrora FERREIRA, as coisas vão mesmo mal. Mesmo as noções elementares de economia escapam-lhe preocupantemente. Prezada Dr.ª Maria das Neves, como é possível que a eliminação de três zeros da designação nominal da divisa nacional (Dobra), faz perder ao consumidor 1000 % DO SEU PODER DE COMPRA em presença de uma taxa de convertibilidade que elimina igualmente três zeros aos preços indicativos dos bens e serviços? Obviamente ……. longe de nós suspeitar que é tudo o que lhe resta dos seus conhecimentos de economia. Pretendemos apenas e tão somente revelar-lhe o elevado grau de perturbação mental que lhe afecta e a necessidade de uma terapia urgente, para evitar males piores.

Pósser da Costa, ‘’eterno fantasma’’. Sabe que já não existe, mas pode aparecer a qualquer hora e em qualquer lugar. Faz gestos e emite sons, mas é igualmente na sua condição uma carta fora de baralho. Servirá certamente para alguma coisa, mas antecipando com elevado grau de certeza o futuro e o respeito que merecem todos os fantasmas, parece que melhor faria em contentar-se definitivamente com as múltiplas oportunidades que a vida já lhe deu e disfrutar serenamente de tudo o que já conseguiu e compenetrar-se de que há já muito que chegou ao fim da sua carreira política e, aconteça o que acontecer, jamais será o Presidente da República Democrática de São Tomé e Príncipe.

Propositadamente, guardamos para o fim a cereja vermelha da oposição: a eventualidade de uma manifestação popular contra Patrice Trovoada, o seu Governo e o ADI. Isto seria uma grande ajuda do Povo para derrubar o Governo liderado por Patrice Trovoada e auxiliar a oposição na realização do seu objectivo estratégico. Mas é preciso ter-se sempre em conta que em democracia o Povo Tem Sempre Razão. O Povo não é ingrato, o Povo não cuspe jamais no prato em que come, o Povo distingue sempre aqueles que fazem bem e aqueles que fazem mal. O Povo é simplesmente justo!

Mas a oposição tem ainda de saber que a manifestação é um direito Constitucional consagrado, mas não é uma forma constitucionalmente prevista de alternância do poder em sociedade aberta e modernas.

Urge, por isso, perguntar: Quem está a pôr a democracia em perigo? Quem está a fazer a democracia correr riscos, quando no parlamento não se é capaz de uma representação digna, construtiva urbana, preferindo e proferindo ataques pessoais, acusações falaciosas e demais actos que apenas poluem e corrompem o debate político?

É preciso regressar, finalmente, a um debate político civilizado, centrado na cidade e na política, onde prevaleça a ética, a moral o decoro, a elevação e o respeito pelo próximo.