São Tomé e Príncipe é, sem dúvida, uma tribuna especial e permanente. Já não surpreende ninguém ouvir por aí opiniões de aparência até erudita, quando na grande parte das vezes o loquaz falante desconhece em absoluto os rudimentos do objecto de sua dissertação. O mesmo acontece com os prevaricadores e outros da mesma estripe que se tornaram acirrados críticos do país, das suas gentes e de tudo que nele se faz, quando a sua prática contrasta com as suas pretensões, revelando um constante insucesso, inacção e até mesmo uma sistemática obstaculização de tudo aquilo que de bom até acontece e pode acontecer ao país. Nesse grupo há lugar ainda para os moralistas e pregadores, que julgando–se os únicos sábios, puritanos e herdeiros de um destino natural que lhes confere um direito incontestável e eterno de reconhecimento. Julgam-se, pois, isentos de toda mácula e assumem-se como fonte de toda a verdade e da razão.

É por tudo isso que apesar de sermos todos membros duma mesma comunidade e vivermos na mesma urbe, urge que se retire a máscara e que se lave os disfarces para que se veja a verdadeira face de cada um, condição para se penetrar no âmago e descobrir as intenções e os propósitos que os guiam.

Através do Decreto Presidencial Nº3/2012, o ex-Presidente Manuel Pinto da Costa, procedeu à nomeação de um senhor de nacionalidade italiana, que se dá pelo nome de Angelo Torriello, como Embaixador Itinerante da República Democrática de São Tomé e Príncipe e Embaixador Adjunto junto das Nações Unidas, com credenciais que lhe abriam grandemente as portas do Departamento de Estado Norte Americano, FMI e Banco Mundial, coadjuvando o Embaixador Carlos Neves.

Que justiça seja feita, essa nomeação e a sua imprudente manutenção foram feitos com a conivência, assentimento e apoio consciente do seu Gabinete, na altura Chefiado pelo Doutor Amaro Pereira do Couto.

Ora, aquele Decreto Presidencial, quiçá inatacável do ponto de vista de forma, dizia expressamente que tal nomeação era feita “sob proposta do Governo”. Falso, totalmente FALSO, pois que o XIV Governo Constitucional dirigido por Patrice Trovoada, jamais apresentou ao senhor Presidente da República, Dr. Manuel Pinto da Costa, qualquer proposta relativa à nomeação daquele senhor ao cargo de Embaixador Itinerante de São Tomé e Príncipe, um indivíduo que o Governo, o então Ministro dos Negócios estrangeiros, desconheciam em absoluto e cujo único mérito era ser amigo e porventura sócio do senhor Presidente Manuel Pinto da Costa.

Esta decisão do Presidente Pinto da Costa violou flagrantemente a Constituição da República, reparo que fora pertinentemente feito varias vezes ao Senhor Presidente, mas que, como sempre, recusou terminantemente mudar de opinião.

Inconformado com a violação (da Constituição) e do princípio da colaboração institucional e falta de honestidade do senhor Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, (pois que o Governo não propôs coisa alguma), o Governo do ADI de regresso ao Poder em finais de 2014, com maioria absoluta, deu instruções expressas ao então Embaixador de São Tomé e Príncipe nas Nações Unidas, Carlos Agostinho das Neves, para que comunicasse as próprias Nações Unidas, o Departamento de Estado Norte Americano, o FMI e ao Banco Mundial, que aquele senhor já não representava o nosso país. Mas, uma vez mais, sob instruções e em perfeita inteligência com o Presidente Pinto da Costa jamais o fez. Desta sorte, restou apenas ao Governo não renovar o Passaporte Diplomático de São Tomé e Príncipe de que aquele senhor ostentava na qualidade de Embaixador Itinerante.

O que pode parecer uma obstinação do Governo em relação ao Presidente da República ou ao em relação ao seu amigo Angelo Torriello, era de facto e apenas um posicionamento coerente com os princípios definidos na Constituição e o respeito escrupuloso pelas regras de convivência internacional comummente aceite pelas nações civilizadas e a proteção da dignidade internacional do nosso Estado.

Na verdade, o senhor Angelo Torriello, amigo e se calhar sócio de Pinto da Costa e Carlos Neves, era internacionalmente suspeito e homem de relações mais do que duvidosas. Nestas circunstâncias, um país com as vulnerabilidades de São Tomé e Príncipe, não pode correr risco de ter representante na mais alta instância internacional, no caso vertente a Organização das Nações Unidas, um tal homem. Infelizmente, apenas pelo BOM QUERER de Pinto da Costa e com prestimosa assistência do então Embaixador Carlos Neves, o referido senhor Angelo Torriello continuou a representar São Tomé e Príncipe, com os estragos que se adivinhava e que hoje se conhece sobejamente.

O senhor Angelo Torriello e Carlos Neves (este último ex-Embaixador de São Tomé e Príncipe nos Estados Unidos) organizaram em Nova York (Estados Unidos da América) uma Conferência Internacional sobre a ÉBOLA em São Tomé e Príncipe, com importantes implicações financeira. Desta conferência, o que conhecemos e sabemos é que felizmente a Èbola jamais atingiu São Tomé e Príncipe.

Mas a saga do Senhor Torriello não ficou por aí………..…

O senhor Angelo Torriello foi no início deste ano de 2017, detido em Espanha e extraditado para o seu país Itália. Sobre os seus ombros pesa uma suspeita de organização de tráfico de droga (cocaína) entre a República de Equador na América do Sul e a Europa, utilizando naturalmente as suas prerrogativas de amigo de Pinto da Costa e Carlos Neves e, por conseguinte, Embaixador Adjunto da República Democrática de São Tomé e Príncipe junto da Organização das Nações Unidas.

As provas recolhidas das actividades desse senhor sugere ainda, segundo um inquérito conduzido pelo jornalista Craig Shaw, que trabalha para o Jornal L’Expresso, que estava em relações com a máfia italiana para vender armas provenientes da Guarda Presidencial no tempo do Presidente Pinto da Costa.

Felizmente, o Despacho Presidencial exarado por Evaristo Carvalho veio restabelecer a ordem, pondo um termo à representação desse senhor, que tantos danos causou ao nosso país.

Suspeita-se igualmente o financiamento de actividades organizadas pela nossa Embaixada em Nova York, evidentemente pela Máfia Italiana, através do senhor Angelo Torriello.

Assim, chegando a este ponto, impõe-se naturalmente que se indague sobre os benefícios e proveitos eventuais que o Senhor Embaixador Carlos Neves tenha tirado dessa relação. E nestas circunstâncias não se pode esperar de Carlos Neves outra coisa senão um pronunciamento claro e inequívoco, ao menos que prefira cuspir no prato em que comeu, prática de que é um inveterado costumeiro.

Mas é verdade que tudo isso não teria acontecido a São Tomé e Principe se Pinto da Costa não violasse a Constituição da República e nomeasse um Embaixador que não fora proposto pelo Governo, como ordena a Constituição. Não é também menos verdade que se não houvesse um Embaixador disponível para falcatruas como Carlos Neves e apto a agir no sentido contrário aos interesses do país e do povo. Pois, deveria saber o senhor Embaixador Carlos Neves, que deve obdiência aos seus superiores, sempre que as ordens não são manifestamente ilegais e que o próprio agente não viole a lei. Infelizmente como o senhor Embaixador Carlos Neves sabia que poderia haver eventuais proveitos, preferiu violar conscientemente a lei e respeitar as ordens ilegais e anti-constitucionais do seu chefe e mentor Pinto da Costa.

Tudo isso torna evidente quão necessário é hoje arrumar a “CASA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE“ e jamais deixá-la nas mãos e sob as ordens de certas pessoas, mas sobretudo quão importante é haver uma colaboração e coerência entre os poderes, particularmente no seio do Poder Executivo, isto é, entre o Presidente da República e o Primeiro Ministro e Chefe do Governo.

A violação que acabamos de descrever sumariamente revela quão grande é o desfazamento entre o que apregoam certas pessoas e partidos e o que e fazem ou são capazes de fazer na realidade, sobretudo quando lhes cai nas mãos uma pequena franja do poder.

Não será pois nunca demasiado estar atento aos arrivistas, aos reformistas de última hora, aos conselhos aparentemente desinteressados, às críticas direcionadas a pessoas e outras análises totalitárias, que tendem a concentrar-se essencialmente nas pessoas, em detrimento das suas ações, na política séria e na rejeição sistemática de tudo aquilo que é feito ou proposto por outro.

Escusado dizer que fica mal, muito mal mesmo a esses críticos que quando lhes foram dadas oportunidades (e não foram poucas), pouco ou nada fizeram, independentemente dos motivos que estiveram na base do seu.

Terão um dia a hombridade de explicar ao povo porque razão durante 40 anos não levaram a energia eléctrica às comunidades que hoje têm energia da EMAE, 24 horas sobre 24 e que representa mais de metade da nossa população? Poderão explicar aos nossos compatriotas do Príncipe porque razão durante 40 anos foram cidadãos de segunda, com energia apenas ou mesmo metade do dia e hoje têm 24 horas sobre 24 horas como a maioria dos santomenses? Poderão ainda explicar aos nossos compatriotas que vivem nas roças, empresas e dependências, porque razão nunca levaram água potável a essas comunidades? Poderão um dia explicar porque razão nunca perceberão que as nascentes não eram capazes de fornecer água suficiente às nossas populações e que era absolutamente necessário construir sistemas de captação de água de superfície e trata-la, como é o caso de Rio do Ouro, Neves, Ribeira Afonso e Milagrosa?

É preciso deixar o país avançar.