Resposta ao tempo de antena do MLSTP / PSD do dia 31.05.2017. Uma oposição desnorteada, mergulhada em conflitos interno, e avizinha-se um assalto a liderança do MLSTP/PSD. Dá para acreditar numa oposição que não se entende ? Que não apresenta uma agenda de transformação para o nosso lindo País ? Querem ganhar credibilidade, confiança popular, falando mal do Dr. Patrice Trovoada ? é assim….procurem inovar a forma de fazer politica os tempos são outros. Vejam o video…

Geplaatst door Adelina Sousa op zondag 4 juni 2017

Em democracia, o Partido (coligação de partidos) eleito é quem governa em nome do povo. Mas é igualmente em nome do povo que deve o partido (coligação de partidos) derrotado exercer a oposição, sendo ambos responsáveis perante o  povo e por ele julgado nos sucessivos pleitos eleitorais. Conclui-se daí que o Poder e a Oposição são as duas faces da democracia, não existindo democracia se não coexistirem.

Por outro lado, os partidos devem reproduzir em programas e propostas de modelo de sociedade, as aspirações dos cidadãos com o  intuito de serem num futuro próximo e através de eleições um poder alternativo.

Contrariamente ao Regime de Partido Único (15 anos de governo autoritário do MLSTP), a democracia organiza a alternância pacífica mediante eleições periódicas, o que constitui uma garantia suficiente  para todos os democratas..

Infelizmente, o ‘’desenvolvimento da mentalidade política’’ e, consequentemente,  a atuação da oposição atual, impedem que assim seja, pese embora todos se reclamem de democrata, experiente, competente e aspire à uma oposição minimamente responsável.

Como é notório, a oposição, constituída pelo MLSTP, PCD, UDD e MDFM, foi severamente trucidada pelo ADI vitorioso, que impôs nas urnas uma maioria absoluta e controla hoje 60% do Parlamento Nacional e governa o país. Decorridos mais de dois anos sobre este facto político-social, que não só abalou as estruturas do poder, mas sobretudo os velhos hábitos e costumes políticos locais, o ADI afirmou-se como verdadeiro e único partido da “mudança” e da vontade de  rotura com os hábitos do passado, enquanto os partidos de oposição não se refizeram do choque e continuam presos as amarras do passado.

Na verdade, o MLSTP foi relegado à categoria de um partido ‘’Residual’’, o PCD, à sua habitual ‘’marginalidade’’ numa assumida “cumplicidade ideológica” com o MLSTP, enquanto o MDFM E A UDD ficaram reduzidos à sua insignificância política, até por inexistência de espaço de sobrevivência e de expressão político-ideológica.

Mas tudo isso não tem nada de anormal em democracia. O que preocupa verdadeiramente é a incapacidade dessa oposição de assumir o seu papel, deixando vazio o lugar imprescindível que tem a oposição em democracia, prejudicando gravemente o regime democrático pela sua ineptidão e demissão.

Note-se que a oposição vive mal ‘’o luto da pesada derrota que sofreu’’, largamente previsível pelo seu divórcio com a sociedade real e pela ineficácia das suas propostas políticas, mas para a qual não estava preparada. Nestas circunstâncias, gesticula, vocifera e age como se não tivesse caída a cortina de ferro, não tivesse havido o 14 de Outubro de 2014, enfim, como se não tivesse sido tragicamente derrotada e vive no imaginário  da grandeza de um passado de poder exclusivista, que há já bastante tempo o povo soberano lhe nega num novo contexto pluralista.

Marcadamente autista, esta oposição vive no seu próprio mundo, não percebe nem se apercebe das transformações políticas, económicas e sociais que se dão à sua volta. Não entende os ciclos políticos, reage mal às mudanças e ignora vergonhosamente os fundamentos da confiança política, elemento central da adesão e da autodeterminação das massas populares. Esta oposição quer obstinadamente o poder. Quer estar do lado do poder. Não sabe o que é ser oposição, o que é estar na oposição. Para ser poder, está disposta a sacrificar valores, princípios, regras. Para ela vale tudo, quebra compromissos, forja complots e intrigas, vilipendia, suja, mente, incita ao ódio e à violência, à desobediência civil. Age como se antes da política não houvesse o homem, o cidadão, o santomense, e depois da política, não houvesse o amanhã, o futuro, o nosso próprio país.

Uma vez mais, o que é grave, é que não parece ter consciência do seu estado e do que diz e faz, bem como das suas próprias consequências, que se redundam numa autoflagelação. Não percebe que a inexistência de uma oposição de qualidade, credível, esclarecida e respeitada é nefasta para o poder, para a nossa democracia e para toda a sociedade, que deixa de ter um instrumento privilegiado de intervenção e animação da vida política e, de certa forma, de configuração do nosso futuro colectivo.

Pois, só assim se compreende,

 

  1. a celebração sistemática e apoteótica pela oposição de cada uma das desgraças ou insucessos do nosso povo, no seu esforço colectivo de tornar este país cada vez melhor;
  2. as sistemáticas tentativas falhadas da oposição de organizar manifestações de massa, por falta de adesão popular ou por causa da tomada de consciência do povo de que esta oposição não é alternativa;
  3. as vis campanhas de desinformação respeitantes às medidas de correção e ajuste macroeconómico propostas pelo governo na sua Agenda de Transformação, apelando a população para actos que consubstanciam um anticivismo primário;
  4. a alegria da oposição quando uma tempestade, uma doença ou um flagelo qualquer destrói um bem público ou aflige uma população; ou ainda quando os nossos bravos bombeiros chegam tarde ao local do sinistro ou não conseguem evitar a propagação de um incêndio que destrói bens públicos ou de populares, convencida que assim granjeiam a adesão popular ou acicatam a sua revolta contra o ADI e o seu governo;
  5. o bloqueio sistemático de todas as propostas e projetos de lei apresentados à Assembleia Nacional para discussão. Para a oposição, tudo é mau, deveria esperar outro momento, deveria ser feito depois, não há condições agora, vai custar muito dinheiro, não temos homens suficientes, não se adapta ao nosso país etc. etc. E foi com esse canto que esta oposição adormeceu o país durante 40 anos, enquanto a cidade de Angolares e o Príncipe não tiveram o gosto de energia 24 horas sobre 24; água potável não pôde chegar às roças como hoje vai à Bom Retiro, Queluz, Monte Macaco, Boa Entrada, Fernão Dias ou a luz eléctrica 24/24 chega  a Uba-Budo (sede), Guegue, Canavial, Praia das Conchas (sede), Plancas, Ribeira Palma ou Ribeira Funda, etc. etc.
  6. Mais grave, esta oposição vota contra a aprendizagem de línguas estrangeiras pelas nossas crianças, vota contra a cooperação com  Rwanda, vota contra a cooperação com Portugal no domínio aéreo, uma convenção que vai abrir o nosso mercado de transportes aéreos e permitir que outras companhias possam ligar os nossos dois países e, quem sabe, talvez com uma maior concorrência, fazer baixar o preço das passagens, texto aliás negociado, assinado e aprovado anteriormente pelo próprio governo da Troika.
  7. Esta oposição votou ainda contra todas as reformas no sector da defesa e segurança, querendo que as coisas permaneçam no estado em que se encontram, para depois verter lágrimas de crocodilo, quando há uma falha de segurança ou ocorre um crime ou ato ilícito qualquer natureza;
  8. Esta oposição está contra o governo e contra o Conselho Superior de Magistratura porque este último suspendeu os juízes medíocres e alguns deles até reincidentes na reprovação;
  9. Uma oposição que não gostou do restabelecimento dasrelações com a República Popular da China e não tendo mesmo nada para fazer, alimenta campanhas difamatórias por portas traseiras contra a China e veio pedir um debate de urgência no Parlamento porque o Governo tomou a decisão de restabelecer as relações diplomáticas com aquele país, apenas porque quer proteger pequenos interesses pessoais e partidários;
  10. Enfim, estamos perante uma oposição que não fez nada durante os 40 anos, não propõe nada e está contra tudo, tendo-se especializado na ARTE de BLOQUEIO.

 

Na verdade, estamos perante uma oposição básica e bastante arcaica no seu comportamento e atuação, uma oposição dilacerada, que está longe de constituir uma alternativa, que tem medo do sucesso do governo e do país, e é incapaz de abraçar os valores do seu próprio tempo, congregar forças e aderir às forças transformadoras do nosso país.

A oposição radicalizou-se, fechou-se sobre si mesma, tornou violenta, xenófoba, constituindo hoje uma verdadeira ameaça para a democracia. Por detrás de uma aparente união da TROIKA, sobrevivem partidos estilhaçados, mergulhados numa luta fratricida e suicidária, que não ditará, certamente, vencedores, visto o estado avançado de deliquescência ética, moral e política em que se encontram.

A desintegração do MLSTP há muito iniciada (Plataforma, PEPSI, multiplicidade de candidaturas concorrentes), não dá indicações de abrandamento, enquanto a acirrada apetência pelo poder dos contendores não deixa dúvidas de que se trata de mais um martelo num velho edifício já de si ‘’Guê-Guê-Guê’’.  O PCD, igual a si mesmo, mas reforçado com o regresso do seu quadro mais preguiçoso às esferas de decisão, tornou-se mais integrista e radical, assumindo descaradamente uma aliança perversa com o MLSTP, motivada por uma desesperada avidez de voltar aos tempos das negociatas, do dinheiro fácil para comer, dos GGA’s, STP Trading, da Doca de Pesca, do Arroz Podre ou do dinheiro da Ajuda do Japão, de que o nosso povo tem uma má memória.

A UDD, partido de expressão sub-provinciana, convertido numa miserável ‘’corneta tribunícia’’ ao serviço do MLSTP e do PCD, sobreviverá o tempo de gastar os últimos dólares amealhados pelo seu líder Gabriel Costa, como retribuição pela prestação servil de um serviço de qualidade deplorável ao Manuel Pinto da Costa.

É assim que se compreende que partidos que estiveram no poder durante 40 anos não compreendam e não consigam acompanhar as mudanças sociais em curso e mergulhados numa profunda psicose, tudo lhes parece estar contra eles, restando-lhes nestas circunstâncias a única boia de sobrevivência: BLOQUEIO às ações do governo.

Mas, se por infortúnio, conquistar esta oposição o poder, o que dele? Não poderão senão repetir  a triste experiência  da TROIKA, sempre inspirada pelo seu líder consensual e permanente candidato ao poder absoluto, Manuel Pinto da Costa. Pois, esta oposição não dá mostras de ter aprendido alguma coisa.

Em vez de saudar os avanços do governo, criticar factos e programas, prefere espalhar o ódio entre os santomenses e atacar a vida pessoal daqueles atores políticos que mais parecem incomodar ou que julgam ser obstáculos aos seus propósitos. Pois, no lugar de discutir ideias, prefere discutir pessoas, as suas origens, as suas cores, as suas famílias e os seus amigos. Lançam calúnias, inventam factos, incentivam o ódio e a violência.

Tudo soa e transpira ódio pessoal, malvadez, mediocridade, inveja, ciúmes e complexo de inferioridade. Coisas que em nada aproveitam a elevação da política, a dignificação de um Povo, a nobreza de uma Nação e que em todas as latitudes foram sempre sinais anunciadores de barbaridades humanas, de sofrimentos coletivos, de decadência de civilizações e de destruição de sonhos.  

Os partidos de oposição exprimem languidamente uma dor que em democracia e no seio dos verdadeiros democratas, não existe, mas uma dor que parece ter provocado um desconforto excruciante com a vitória do candidato apoiado pelo ADI às eleições presidenciais, que rapidamente passou de uma ‘’dor nociceptiva’’ a uma dor ‘’neuropática aguda’’ com o restabelecimento das relações diplomáticas com a República Popular da China, fator estruturante fundamental para a nova estratégia geopolítica do país.

Compreende-se que a Troika e o Manuel Pinto da Costa tenham CHUMBADO dolorosamente na tentativa de restabelecimento das relações diplomáticas com a República Popular da China, apesar do envolvimento dos mais altos agentes da TROIKA no processo. Mas ninguém os pode censurar, pois compreende-se o grau de complexidade de uma tal negociação internacional com um parceiro de primeira grandeza da política e da economia mundial.

Era preciso o engenho e a  arte de um Homem com a estatura política, o alto sentido do interesse geral colectivo, a visão e atitude nacionalista, bem como a postura pessoal de Patrice Emery Trovoada, associados ao seu saber e à sua clarividência, para chegar em tão pouco tempo a um acordo sério com a República Popular da China, que viu nele, um verdadeiro Homem de Estado, astúcia, sinceridade e integridade que inspiram confiança.

A TROIKA tem visivelmente hoje medo da concretização dos benefícios anunciados que um tal acordo poderá trazer para o povo, pondo a nu toda a sua incompetência na compreensão do mundo moderno e das coisas, a falta de habilidade e de uma visão clara para o país.

Sem argumentos, a Troika faz renascer na sua imprensa panfletista, como que para turvar e poluir o ambiente, velhas histórias como essa de um cidadão chinês de Hong Kong que está em segredo de justiça de um país amigo, que tem vultuosos investimentos no continente africano, mormente em Angola e que fora aconselhado como investidor ao governo atual por altas autoridades de países amigos.

Pois, contrariamente ao que a oposição dá a entender, passará por cabeça de alguém que se um tal caso tivesse algo a ver com São Tomé e Príncipe, o Presidente da segunda maior economia do mundo, Presidente Xi Jinping, teria organizado uma tão estrondosa visita do Primeiro Ministro e Chefe do Governo ao seu país e pousaria com ele de braços dados diante dos holofotes do mundo inteiro?

Outras histórias do mesmo género, e o uso abusivo das ondas de uma rádio católica para proferir mentiras, mobilizar pessoas para manifestarem contra o atual Governo, bem como lançar campanhas de ódio nas redes sociais indo ao ponto de apelar ao boicote das festas de 12 de Julho, só demonstram o estado de desespero em que se encontram.

Jamais um cidadão são-tomense e muito menos um político do nosso pais foi tão odiado, difamado e gratuitamente insultado como  Patrice Emery Trovoada, o mesmo Patrice Trovoada que conseguiu levar o ADI à maioria absoluta, depois de eleições livres e justas.

Estamos, pois, no direito de indagar sobre o grau de discernimento do Povo São-tomense ao eleger um “traficante de drogas e de armas”, enfim, um “fugitivo, branqueador de capitais procurado pelas polícias internacionais”, um “ditador” e mais o quê ainda? Ou para o Povo Santomense os outros são ainda piores do Patrice Trovoada ou haverá um fosso entre o Povo e as pessoas e os partidos que professam tanta maldade e incongruência.

Lamentavelmente a nossa oposição ergueu como um dos seus cavalos de batalha  denegrir sistematicamente a imagem do país e dos seus atuais dirigentes e elegeu como a sua principal estratégia de atuação política, ignorando que em democracia não há poderes, nem eternos nem absolutos.

Um dia no poder, ainda que longínquo, esquece a oposição, terá de lidar com a imagem do país, que constitui um factor crítico de primeira grandeza no desempenho do país, e que hoje destroem alegre e irresponsavelmente. Ignora ainda e olimpicamente a TROIKA que a imagem de um país não se revela instantaneamente como uma fotografia polaroid, não se compra nem se encomenda por mais dinheiro que se tenha. É um cultivo de longo prazo, que não se coaduna com a política de terra queimada ou de vale tudo.

Mas, tal como na democracia, é preciso ver os dois lados da imaturidade da oposição. Pois, nem tudo é mau nessa atuação da Troika.

Na verdade, a oportunidade permite compreender porque razão o povo infligiu uma tal derrota à oposição, porque razão ela não tem audiência internacional,  e porque razão o povo a mantém onde está, bem como o tempo necessário para a absoluta terapia de cura que o povo certamente lhe concederá.

Que por lá permaneçam o tempo  suficiente até que a marcha actual do país  para a boa governação, o progresso, a modernização, a inclusão, a coesão social, a era numérica, e a sustentabilidade económica, se torne irreversível.