O Congresso Extraordinário do ADI aprovou neste último sábado, dia 28 de Maio, a Moção de reconhecimento e gratidão à Diáspora São-tomense.

“Razões de vária ordem fizeram com que muitos filhos da nossa terra deixassem o torrão natal e se espalhassem pelos quatro cantos do mundo ao longo de vários séculos.

Antes da nossa independência os santomenses que saíram das ilhas e rumaram para outros destinos onde fixaram residência, para que se possa falar de uma verdadeira diáspora, estabeleceram-se essencialmente nos seguintes países  e territórios de acolhimento:

  • Angola: onde algumas centenas de santomenses fixaram residência nas várias cidades angolanas e ganhou expressão como diáspora na segunda metade do século passado (1940-1975). A esmagadora maioria desempenhou funções na função pública nos serviços da administração colonial portuguesa;
  • Portugal: escassas dezenas de santomenses foram mobilizados para prestar serviços como tripulantes de navios da marinha mercante portuguesa na segunda metade do século passado, tendo fixado residência essencialmente na margem sul de Lisboa, mais concretamente na região da Cruz-de-Pau e do Seixal;
  • Fernão do Pó: onde poucas dezenas de santomenses fixaram residência essencialmente na ilha de Fernão do Pó, hoje República da Guiné Equatorial, na segunda metade do século passado.
  • Gabão: para onde deslocaram-se alguns santomenses, que encontraram naquele acolhimento e melhor localização para os contactos com as ilhas de São Tomé e Príncipe e espaço para um desenvolvimento mais eficaz das suas actividades políticas, em prol da libertação do país do jugo colonial.

Com a proclamação da independência no ano de 1975, a diáspora santomense ganhou outra dinâmica, tanto no que respeita à sua dimensão, composição, diversidade e expansão geográfica, registando-se nos dias de hoje a presença de famílias santomenses ou de verdadeiras comunidades santomenses em países tão disparos e longínquos como, por exemplo,  a Austrália, República Popular da China (Macau), Brasil, Estados Unidos da América, Espanha, Reino Unido, França, Bélgica, Alemanha, Moçambique, Cabo Verde ou ainda Moçambique e Timor-Leste.

Admite-se hoje, sem real contestação, que os santomenses residentes no estrangeiro possa atingir a significativa cifra de 70 000 pessoas, o que comparado com os resultados do último Recenseamento Geral da População e da Habitação realizado em 2012, representaria aproximadamente um terço da nossa população global, o que é assaz revelador do seu peso na nossa demografia.

Importa notar que o crescimento exponencial registado desde a independência da nossa diáspora, correspondeu também a uma evolução bastante significativa no nível de formação académica e na experiência profissional dos santomenses que constituem a atual diáspora. Naturalmente, consequência da formação massiva de quadros através de bolsas de estudos concedidas pelo país após a independência e de um saudável despertar dos santomenses para aquisição do saber, como condição de melhoria das suas condições de vida, em mercados que se foram tornando cada vez mais exigentes em termos de qualificação da mão da obra e do domínio do conhecimento.

A ADI regista com profunda satisfação que a clivagem entre os que partiram e os que que ficaram tendem a esbater, ao mesmo tempo que o grau de conflitualidade entre a diáspora e os poderes instituídos manifestam uma nítida tendência de  redução, graças à implantação da democracia e a adopção de medidas de alcance diverso, visando uma melhor integração de todos os santomenses na comunidade nacional e sua inclusão e participação no processo de desenvolvimento político e económico nacional.

Merece igualmente orgulho e satisfação da ADI o activismo da grande maioria dos membros da nossa diáspora e sua preocupação permanente com o desenvolvimento do nosso país, bem como o facto  de  muitos deles serem detentores de uma formação universitária profissional, desempenhando alguns até altas funções de chefia nas instituições onde trabalham.

Com a presente Moção de Reconhecimento e Gratidão, a ADI quer reconhecer o esforço que vem fazendo, felicita-la pelos êxitos alcançados, agradece-la pelo seu contributo ao engrandecimento do país e expressar o seu indefectível apoio a todos e cada um individualmente, para que as nossas comunidades espalhadas pelo mundo se afirme cada vez mais nos seus respectivos espaços de intervenção e, enfim, o nosso desejo inabalável  de criar as condições para que as  qualificações obtidas e as experiências adquiridas por cada um possam de alguma forma ser partilhadas para servir o bem de  São Tomé e Príncipe e de todos os seus filhos lá onde se encontrem”.